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Usando a tecnologia para envelhecer bem em casa

  • Foto do escritor: Alexandre Rocha
    Alexandre Rocha
  • 19 de out. de 2020
  • 8 min de leitura

Atualizado: 24 de mai. de 2021

Que tal trazer a tecnologia para benefĂ­cio de se envelhecer bem em casa? JĂĄ pensou nisso?


Recebemos solicitaçÔes de idosos que moram sozinhos preocupados com a possibilidade de quedas ou de passarem mal e não conseguirem chamar ajuda, e queremos divulgar algumas informaçÔes sobre tecnologias disponíveis que podem ajudar em situaçÔes como essas. Mas, além disso, também queremos falar de tecnologias que trazem conforto e acessibilidade para todos os moradores. E esse é o tema que vamos tratar nesse artigo.


Tecnologias de “smart home”, ou casa inteligente, podem incluir sensores passivos, dispositivos de monitoramento, robĂłtica e controle de ambientes. No geral, ao contrĂĄrio do que muitos acreditam, a população mais velha estĂĄ aberta a aceitar o uso de dispositivos de casa inteligente, especialmente se a tecnologia for para beneficiar atividade fĂ­sica, independĂȘncia e função, e se a privacidade for respeitada (item muito importante para a maioria das pessoas, idosas ou nĂŁo).


Para a implementação de uma casa inteligente com sucesso, é imprescindível que seja considerada a opinião do morador e as condiçÔes da moradia. Quanto mais fåcil de implementar e menos aparente for o dispositivo, melhor serå a aceitação do idoso e de sua família.


A seguir, entraremos em maiores detalhes sobre tele assistĂȘncia, automação residencial, sensores de rotina e robĂŽs de companhia.

- Tele assistĂȘncia: botĂ”es de emergĂȘncia e pingentes que detectam queda:


Cada vez mais famosas, as pulseiras com botĂŁo SOS viraram uma opção para tranquilizar familiares de idosos que moram sozinhos. É uma solução bastante rĂĄpida e fĂĄcil de ser contratada. Para esses serviços (nĂŁo Ă© apenas um produto, Ă© necessĂĄrio contratar um serviço), a contratação Ă© feita por perĂ­odo (mensal ou anual) e por abrangĂȘncia da assistĂȘncia.


O botĂŁo SOS Ă© uma pulseira ou colar (ou atĂ© mesmo anel, dependendo do fornecedor) que o idoso aciona para pedir ajuda. Quando acionado, uma central de atendimento irĂĄ contatar o idoso atravĂ©s de um viva voz para entender a emergĂȘncia e verificar a necessidade de chamar ajuda. Caso nĂŁo haja resposta, central entra em contato com as pessoas colocadas no cadastro do idoso ou uma ambulĂąncia, dependendo do serviço contratado.


Algumas empresas jå estão oferecendo dispositivos que contém sensor de queda, que aciona a central de atendimento sem a necessidade de pressionar o botão.


A grande limitação deste tipo de serviço Ă© que o seu acionamento se dĂĄ apĂłs a emergĂȘncia, ou seja, nĂŁo previne acidentes. AlĂ©m disso, a maioria dos dispositivos disponĂ­veis nĂŁo Ă© esteticamente atraente, o que pode gerar uma rejeição por parte do idoso. Por fim, a maioria desses dispositivos exige que o idoso (ou alguĂ©m prĂłximo a ele) aperte fisicamente o botĂŁo.


Para quem jĂĄ Ă© adepto de celulares e smartwatches (relĂłgios inteligentes), hĂĄ opçÔes que nĂŁo exigem que o idoso use mais uma pulseira ou pingente. Com o uso de aplicativos no celular ou no relĂłgio, tambĂ©m Ă© possĂ­vel acionar contatos de emergĂȘncia em caso de necessidade, atĂ© mesmo sem a contratação de um serviço de central de atendimento. AlĂ©m disso, por possuĂ­rem sensores de giroscĂłpio e GPS embutidos, smartwatches ou celulares conseguem identificar quedas, faltando apenas o aplicativo para acionar o contato de emergĂȘncia. No caso dos relĂłgios mais recentes da Apple, a função de identificação de queda jĂĄ vem de fĂĄbrica, basta configurar os seus contatos de emergĂȘncia que devem ser acionados em caso de queda. Infelizmente, os relĂłgios com sistema Android nĂŁo acompanham aplicativos com esta função, apesar de tecnicamente possĂ­vel (uma vez que possuem sensores de giroscĂłpio e GPS). PorĂ©m, alguns lançamentos de relĂłgios mais recentes jĂĄ prometem a função para modelos lançados no final de 2020 e inĂ­cio de 2021.


O tema é amplo e existem diversas soluçÔes disponíveis, cada uma com suas vantagens e desvantagens.


Uma senhora branca estå sentada atrås de uma mesa. Ela tem cabelos brancos e curtos, usa óculos de armação escura e viste uma blusa de manga comprida azul. Ela olha para o smartchwatch que estå no seu pulso esquerdo
Foto: Qual Ă© a melhor pulseira para o seu caso? (Alexandre Rocha)

- Automação residencial (domótica):


A automação residencial (ou domótica, combinação do grego “domus” casa com robótica) corresponde à integração dos elementos e sistemas do ambiente de uma casa, como iluminação, climatização, segurança e equipamentos de áudio e vídeo.


VocĂȘ jĂĄ deve ter ouvido falar de “casa inteligente”, ou “smart homes” em inglĂȘs. Mesmo que vocĂȘ ainda nĂŁo tenha nada automatizado na sua casa alĂ©m do portĂŁo da garagem, talvez jĂĄ tenha usado algumas das soluçÔes disponĂ­veis para uma casa inteligente em outros contextos. É provĂĄvel que vocĂȘ tenha uma dessas ferramentas disponĂ­veis no seu bolso, como a Siri dos celulares da Apple ou o Google Assistant nos celulares Android (Ă© sĂł falar “OK, Google” ou “Hey, Google” para o seu celular). AlĂ©m de aparelhos celulares, as populares caixas de som inteligentes com a Alexa da Amazon ou as caixinhas do Google tambĂ©m incluem esse tipo de ferramenta. Pois Ă©, automação residencial jĂĄ pode ser realidade na sua casa.


VocĂȘ pode entĂŁo se perguntar: O que eu posso automatizar na minha casa? E o que eu preciso para isso? Vamos a alguns exemplos.


A iluminação da sala ou do quarto pode ser acionada por comandos pelo celular ou por voz. Para tanto, basta ter um dispositivo conectado no circuito elĂ©trico desta iluminação que se conecte sem fio com o seu celular ou as caixas de som. Da mesma maneira, Ă© possĂ­vel acionar cortinas ou ligar e desligar equipamentos simples como um ventilador ou uma cafeteira. TambĂ©m hĂĄ soluçÔes que te permitam acionar a TV, abrindo um canal especĂ­fico da TV a cabo ou se conectando ao YouTube ou ao Netflix, sem que vocĂȘ precise usar o controle remoto. Outra possibilidade pode ser o acionamento do ar-condicionado ou aquecedor, controlando toda a climatização tambĂ©m pelo celular ou por voz. É possĂ­vel atĂ© mesmo ter uma fechadura eletrĂŽnica inteligente na porta de casa que te permita abrir a porta remotamente.


Esse tipo de automação pode simplificar algumas funçÔes do dia-a-dia em casa e tornar o cotidiano mais cÎmodo e mais confortåvel para qualquer pessoa, mas tem papel fundamental quando o morador começa a apresentar dificuldades de locomoção ou quando perde mobilidade, definitivamente ou temporariamente. No caso de usuårios de cadeiras de rodas, o papel da automação é ainda mais importante.


Um exemplo muito bacana de automação residencial pode ser visto neste vĂ­deo da Ame - Amigos MetroviĂĄrios Dos Excepcionais (https://youtu.be/Ef4Foy69ELE). Outro exemplo pode ser visto na casa do Marco Antonio Pellegrini que, apesar de tetraplĂ©gico e usuĂĄrio de cadeira de rodas motorizada, tem bastante independĂȘncia em casa graças aos recursos de automação que foram instalados e lhe dĂŁo controle a praticamente todos os elementos da casa (https://youtu.be/LldSPAjSwBg).


Pois bem, atualmente é possível montar uma casa inteligente automatizando diversos elementos do ambiente residencial com a ajuda de dispositivos encontrados com facilidade no mercado, simplificando funçÔes do dia-a-dia em casa e tornando o quotidiano mais fåcil e mais confortåvel.


Foto de traz de uma cabeça de uma senhora branca de cabelos brancos. Ela segura um celular com a mão esquerda, cuja tela tem o logo da LAR.i
Foto: Como usar a domĂłtica em seu benefĂ­cio (Freepik)

- Sensores inteligentes que aprendem a sua rotina:


Considerando as preocupaçÔes com acidentes em casa, como quedas ou em casos de mal-estar, especialmente em cenĂĄrios em que os idosos vivem sozinhos, hĂĄ tecnologias de monitoramento que podem ser muito Ășteis. Contudo, a privacidade dos moradores Ă© importante e deve ser levada em consideração. Dessa forma, soluçÔes de monitoramento nĂŁo invasivo, que nĂŁo utilizam cĂąmeras, sĂŁo mais adequadas. Com o uso de sistemas de sensores distribuĂ­dos na casa como complemento da automação residencial, Ă© possĂ­vel atingir esse objetivo sem invadir a privacidade do idoso.


Esses sistemas se baseiam em dispositivos espalhados pela casa em pontos estratĂ©gicos, que se conectam entre si e enviam dados em intervalos de tempo determinados ou quando acionados. É o mundo da chamada “Internet das Coisas” (Internet of Things, IoT, em inglĂȘs) que Ă© a base das casas inteligentes (Smart Homes, em inglĂȘs).


Esses dispositivos estĂŁo fazendo sucesso no mercado de longevidade, principalmente nos EUA e na Europa. Eles sĂŁo pequenos, consomem pouca energia e podem ser instalados em qualquer lugar da casa ou apartamento, ou mesmo em utensĂ­lios domĂ©sticos. Os sensores monitoram as atividades da casa sem uma cĂąmera, o que garante a privacidade do morador. Eles aprendem o padrĂŁo de comportamento do morador em cada cĂŽmodo onde foi instalado e conseguem perceber quando algum comportamento estĂĄ fora do normal. Por exemplo, se o morador nĂŁo se levantou da cama, bebeu pouca ĂĄgua durante o dia, ficou muito tempo sentado, com que frequĂȘncia tem usado o aspirador de pĂł ou a geladeira, se esqueceu o fogĂŁo ligado, se caiu ou se estĂĄ mancando, e avisa um parente, uma clĂ­nica ou chama uma ambulĂąncia, se necessĂĄrio. Esses sensores tambĂ©m podem ser conectados a outros itens da automação residencial, como ligar a luz quando entra no cĂŽmodo, avisar ao cuidador quando saiu da cama ou trancar a porta e desligar a TV quando sair de casa. Lembrando que tudo isso sem monitoramento por cĂąmeras, garantindo a privacidade do idoso, inclusive no banheiro.


VĂĄrias pesquisas e experimentos sugerem que esses sistemas de monitoramento em ambientes de pessoas idosas conseguem identificar e acionar ajuda com sucesso em caso de acidentes.


Apesar de bem difundida nos EUA, essa tecnologia ainda estĂĄ começando a aparecer no Brasil. Algumas poucas empresas jĂĄ comercializam esse tipo de monitoramento, poucas ainda para o pĂșblico geral e a maioria para instituiçÔes de longa permanĂȘncia de idosos (ILPI).


Desenho ilustrativo com uma casa no centro, com itens de casa inteligente ao seu redor
Como escolher sensores inteligentes (Imagem: macrovector / Freepik)

- RobĂŽs de companhia


Muitos modelos de robĂŽs sociais de companhia surgiram nas Ășltimas duas dĂ©cadas, e hoje Ă© possĂ­vel encontrar modelos a venda em diversos paĂ­ses, especialmente no JapĂŁo e paĂ­ses da Europa. Com a evolução da tecnologia de robĂłtica, que hĂĄ poucos anos era tida como muito futurista, surgiram diversos modelos de robĂŽs androides e humanoides, enquanto as evoluçÔes tecnolĂłgicas na ĂĄrea de inteligĂȘncia artificial contribuĂ­ram para aprimorar e ampliar a aplicação dos robĂŽs em diversas ĂĄreas. Tais evoluçÔes contribuĂ­ram para reduzir os custos finais dos robĂŽs, tornando-os tĂŁo acessĂ­veis que em alguns paĂ­ses eles jĂĄ estĂŁo sendo utilizados em casa.


Atualmente Ă© possĂ­vel ver robĂŽs sendo utilizados em situaçÔes, como por exemplo, recepcionar clientes em uma loja ou atender clientes em um restaurante, e atĂ© mesmo na ĂĄrea de cuidados de saĂșde e serviço social. Esses robĂŽs assumem diversas formas: formato humano (humanoide) ou de animais, pequenos como um brinquedo ou grandes como uma pessoa e capazes de interagir com pessoas e o ambiente.


Na ĂĄrea de saĂșde e bem-estar, pesquisas mostram resultados positivos na interação de pessoas com robĂŽs em diversas ĂĄreas e faixas etĂĄrias, com robĂŽs sendo capazes de auxiliar desde crianças dentro do espectro do autismo atĂ© pacientes idosos com Alzheimer. Uma grande contribuição dos robĂŽs, comprovada recentemente em estudos na Europa e nos Estados Unidos, e estĂĄ no simples fato de fazer companhia para uma pessoa que situação de solidĂŁo ou isolamento social.


Um dos robĂŽs mais comentados na mĂ­dia Ă© o robĂŽ terapĂȘutico PARO, criado no JapĂŁo e construĂ­do no formato de animais. Atualmente em sua 8ÂȘ geração e disponĂ­vel em formato de uma foca de pelĂșcia, o robĂŽ comprovadamente ajuda a reduzir o stress tanto de paciente quanto dos seus cuidadores, estimula e melhora a socialização dos pacientes (entre si e com cuidadores), e tem efeitos psicolĂłgicos como relaxamento e motivação.


Outro robÎ disponível no mercado é o Pepper, robÎ humanoide que foi introduzido em dois hospitais da Bélgica em 2016 como recepcionistas e é capaz de interagir com humanos reconhecendo algumas emoçÔes e respondendo de acordo.


No final de 2019, o robĂŽ Stevie, construĂ­do apĂłs anos de pesquisa por pesquisadores do Trinity College Dublin, na Irlanda, foi capa da famosa revista Time. O robĂŽ androide foi apresentado para idosos em uma casa de repouso em Washington, D.C., nos Estados Unidos, e mostrou como resultado que os idosos adoraram interagir com o Stevie quando ele contava histĂłrias e piadas, mostrando mais uma vez o potencial dos robĂŽs de companhia.

Foto de um robÎ branco com traços humanoides
Foto: RobĂŽ Pepper (Alex Knight/Unsplash)

Quer saber mais sobre qual tipo de tecnologia Ă© melhor para vocĂȘ? Entre em contato com a LAR.i!


Alexandre Rocha

MSc em engenharia


Foto: Freepik


ReferĂȘncias BibliogrĂĄficas:

ARBEITER M, MAIER T, SPÖCK G. A cyber-physical environment for detecting exceptional and dangerous human behavior in the home by sensors and its verification by computer simulation. Adaptive Behavior. July, 2020. doi:10.1177/1059712320930420


https://www.dwell.com/article/9-smart-home-devices-for-aging-in-place-5528881a#:~:text=Smart%20security%20systems%2C%20connected%20sensors,in%20their%20homes%20for%20longer.&text=Abode%20Iota%20is%20a%20sleek,to%20help%20keep%20occupants%20safe.


https://www.helpcarebrasil.com.br/pulseira-de-emergencia?gclid=CjwKCAjw4MP5BRBtEiwASfwAL4PxUKIdymOraSvtkI5zJezTxPW_0GXAPL0kJSxrhDaks9QRgtAr2RoCQzoQAvD_BwE


KPMG. Social Robots Report. KPMG, 2016. https://assets.kpmg/content/dam/kpmg/pdf/2016/06/social-robots.pdf


McGinn, C., Bourke, E., Murtagh, A. et al. Meet Stevie: a Socially Assistive Robot Developed Through Application of a ‘Design-Thinking’ Approach. J Intell Robot Syst 98, 39–58 (2020). https://doi.org/10.1007/s10846-019-01051-9


MORRIS, M. E.; ADAIR, B.; MILLER, K.; OZANNE, E.; HANSEN, R.; PEARCE, A. J.; SANTAMARIA, N.; VIEGAS, L.; LONG, M.; SAID, C. M. Smart-Home Technologies to Assist Older People to Live Well at Home. Journal of Aging Science, v.1, 2013


http://www.parorobots.com/


https://time.com/collection/best-inventions-2019/5733104/stevie/


https://tecnosenior.com/monitoramento-de-idosos-pulseira-de-emergencia-ou-sensor-de-queda/


The Top 12 Social Companion Robots. The Medical Futurist. 31/07/2018. https://medicalfuturist.com/the-top-12-social-companion-robots/


https://www.telehelp.com.br/botao_emergencia_salva_vidas_idosos_lp14/?utm_source=google&utm_medium=G%5FPesquisa%5FS%5FQuedas%5Fidoso&utm_campaign=google&utm_term=Quedas%5Fidoso&gclid=CjwKCAjw4MP5BRBtEiwASfwAL5a195DA2mF0eRU1EarS0KQyPXiC_fQh2PtMcpqfRi71Fp45w8senhoCMa8QAvD_BwE


This Caring Home. 6 Best Automatic Stove Turn-Off Devices (With Timers and Without). https://www.thiscaringhome.org/automatic-stove-turn-off-devices/

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